A pesquisa de opinião foi feita por telefone, com uma amostra aleatória que incluiu 31,2% do universo de especialistas de quatro capitais brasileiras (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). De maneira geral, a pergunta feita ao entrevistado pretendia avaliar em que porcentagem dos casos o médico usava certo tratamento. O tempo mediano de duração das entrevistas foi de 24 minutos.
Alguns dados interessantes a respeito da amostra entrevistada incluíram o fato de que mais de três quartos dos médicos afirmaram ter feito residência em oncologia clínica, e pouco mais de um terço tinha treinamento no exterior por período igual ou superior a 1 mês.
A maioria dos médicos entrevistados havia ido a pelo menos 2 encontros da ASCO nos últimos 5 anos. Pouco mais de 40% afirmaram participar de pesquisa clínica, e a maioria havia proferido alguma palestra sobre oncologia no último ano. Na questão relativa a o que mais os oncologistas valorizavam ao adotar um novo tratamento para câncer de mama metastático, a sobrevida global e a qualidade de vida ficaram praticamente empatadas em primeiro lugar.
Resultados
Os médicos entrevistados disseram atender, em média, 14 novos casos de câncer de mama por mês, sendo um terço das pacientes tratadas para doença metastática. Da mesma forma, os médicos entrevistados disseram atender um terço dos casos no setor público, e dois terços no setor privado. A média do percentual de tempo que os entrevistados afirmaram dedicar ao setor privado foi superior a 70%. Dos médicos entrevistados, menos de 30% afirmaram atuar apenas no setor privado, nenhum disse atuar apenas no setor público, e mais de 70% disseram atuar nos dois setores. A pesquisa avaliou a utilização de quimioterápicos, tamoxifeno, inibidores da aromatase, fulvestranto, trastuzumabe e novas drogas de alvo molecular, ainda em fase experimental.
Setor privado
Dos casos de doença metastática com expressão de receptores hormonais e indicação de tratamento sistêmico, a pesquisa revelou que pouco menos da metade das pacientes recebeu tratamento hormonal, sendo o mais usado em primeira linha um inibidor da aromatase.
A grande maioria das pacientes com doença metastática e HER-2 positivo recebeu tratamento com trastuzumabe. A monoterapia com taxanos foi o regime de escolha dos médicos para combinação com trastuzumabe. No caso de pacientes com doença metastática e HER-2 negativo ou desconhecido, o tratamento em primeira linha praticamente se dividiu entre combinações e monoterapia.
Setor público
Dos casos de doença metastática com expressão de receptores hormonais e indicação de tratamento sistêmico, menos da metade recebeu tratamento hormonal. Nesses casos, o mais usado em primeira linha foi o tamoxifeno, sendo os inibidores da aromatase os mais utilizados em segunda linha.
A divisão do tratamento de acordo com a positividade do HER-2 não foi relevante, já que o trastuzumabe não estava disponível na rede pública. Na primeira linha, o regime mais usado foi uma combinação de quimioterápicos, enquanto que, na segunda linha, a monoterapia foi o tratamento mais usado.
Novos medicamentos
Os novos medicamentos avaliados pela pesquisa foram o bevacizumabe, o lapatinibe, o sunitinibe, o sorafenibe, o erlotinibe e o bortezomibe. Os resultados sugeriram que algumas das novas drogas ainda não eram do conhecimento de alguns oncologistas clínicos. A pesquisa sugeriu uma correlação positiva, e estatisticamente significativa entre a freqüência dos médicos nos encontros da ASCO e o percentual de casos que seriam tratados com pelo menos uma dessas novas drogas.