A pesquisa de opinião foi feita por telefone, com uma amostra aleatória que incluiu 33,9% do universo de especialistas de quatro capitais brasileiras (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). De maneira geral, a pergunta feita ao entrevistado pretendia avaliar em que porcentagem dos casos o médico usava certo tratamento. O tempo mediano de duração das entrevistas foi de 24 minutos.
Alguns dados interessantes a respeito da amostra entrevistada incluíram o fato de que mais de 80% dos médicos afirmaram terem feito residência em oncologia clínica, e cerca da metade tinha treinamento no exterior por período igual ou superior a 1 mês. A maioria dos médicos entrevistados foi a pelo menos 2 encontros da ASCO nos últimos 5 anos. Pouco mais da metade afirmou participar de pesquisa clínica, e a maioria havia proferido alguma palestra sobre oncologia no último ano.
Resultados
Os médicos entrevistados atendiam, em média, 7 novos casos de câncer de pulmão não-pequenas células por mês, sendo mais de dois terços dos pacientes tratados para doença metastática. Da mesma forma, os médicos entrevistados atendiam cerca de um terço dos casos no setor público, e cerca de dois terços no setor privado. A média do percentual de tempo que os entrevistados dedicavam ao setor privado foi superior a 70%. Dos médicos entrevistados, aproximadamente 25% atuavam apenas no setor privado, nenhum atuava apenas no setor público, e cerca de 75% atuavam nos dois setores. A pesquisa avaliou a utilização de quimioterápicos e novas drogas de alvo molecular, ainda em fase experimental.
Setor privado
No tratamento de primeira linha da doença metastática, a pesquisa revelou que a grande maioria dos pacientes recebia quimioterapia e apenas um pequeno percentual recebia exclusivamente tratamento de suporte. A opção mais freqüente foi pelo uso de combinações de quimioterápicos. Na segunda linha, observou-se aumento da proporção de pacientes tratados com terapia de suporte. Contudo, a utilização de quimioterapia ainda foi a abordagem mais freqüentemente utilizada, sendo a monoterapia o regime preferido.
Setor público
No tratamento de primeira linha da doença metastática, as combinações de uma platina com um não-taxano constituíram o regime mais empregado, embora mais de 20% dos pacientes recebessem apenas terapia de suporte. Na segunda linha, a terapia de suporte foi a opção mais freqüentemente utilizada.
Novos medicamentos
Os novos medicamentos avaliados pela pesquisa foram o bevacizumabe, o erlotinibe, o cetuximabe, o sunitinibe, o sorafenibe e o bortezomibe. Os resultados sugeriram que algumas das novas drogas ainda não eram do conhecimento de alguns oncologistas clínicos. A pesquisa sugeriu uma correlação positiva, e estatisticamente significativa entre a freqüência dos médicos nos encontros da ASCO e o percentual de casos que seriam tratados com pelo menos uma dessas novas drogas.
Análises exploratórias
Em análises exploratórias, observou-se que, em determinadas circunstâncias, existiu uma correlação inversa e estatisticamente significativa entre a freqüência dos médicos nos encontros da ASCO e o percentual de casos tratados com terapia de suporte.